78 – Segundo a carne

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Pão Nosso - Emmanuel

78 – Segundo a carne

“Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis.” — Paulo. (Romanos, 8.13)

1

Para quem vive segundo a carne, isto é, de conformidade com os impulsos inferiores, a estação de luta terrestre não é mais que uma série de acontecimentos vazios. Em todos os momentos, a limitação ser-lhe-á fantasma incessante.

2

Cérebro esmagado pelas noções negativas, encontrar-se-á com a morte, a cada passo.

3

Para a consciência que teve a infelicidade de esposar concepções tão escuras não passará a existência humana de comédia infeliz.

4

No sofrimento, identifica uma casa adequada ao desespero.

5

No trabalho destinado à purificação espiritual, sente o clima da revolta.

6

Não pode contar com a bênção do amor, porquanto, em face da apreciação que lhe é própria, os laços afetivos são meros acidentes no mecanismo dos desejos eventuais.

7

A dor, benfeitora e conservadora do mundo, é-lhe intolerável, a disciplina constitui-lhe angustioso cárcere e o serviço aos semelhantes representa pesada humilhação.

8

Nunca perdoa, não sabe renunciar, dói-lhe ceder em favor de alguém e, quando ajuda, exige do beneficiado a subserviência do escravo.

9

Desditoso o homem que vive, respira e age, segundo a carne! Os conflitos da posse atormentam-lhe o coração, por tempo indeterminado, com o mesmo calor da vida selvagem.

10

Ai dele, todavia, porque a hora renovadora soará sempre! E, se fugiu à atmosfera da imortalidade, se asfixiou as melhores aspirações da própria alma, se escapou ao exercício salutar do sofrimento, se fez questão de aumentar apetites e prazeres pela absoluta integração com o “lado inferior da vida”, que poderá esperar do fim do corpo, senão sepulcro, sombra e impossibilidade, dentro da noite cruel?

Emmanuel

Texto extraído da 1ª edição desse livro.

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